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Fique por Dentro
Diante da maior compreensão sobre a necessidade dos programas de compliance e integridade nas empresas, o mercado de trabalho brasileiro tem aberto mais vagas para essa área. 

No entanto, por esta ocupação ser relativamente nova no Brasil – a importância do compliance foi evidenciada pela chamada Lei Anticorrupção (Lei n.º 12.846/2013) –, muitas dúvidas podem surgir.

O que é preciso para tornar-se um bom compliance officer? Como posso me preparar? Qual é a formação necessária? Como é a atuação desse profissional? Onde buscar essas vagas? Qual é a remuneração para o cargo?

A resposta para cada uma dessas questões segue adiante. Boa leitura!

Competências e habilidades do profissional de compliance

Não existe uma graduação específica para a área de compliance. Por ser um trabalho que exige conhecimento da legislação vigente, muitas pessoas ainda se confundem, achando que há exigência de formação em Direito para atuar na área, o que não é verdade.

Advogados, administradores, psicólogos, contadores, engenheiros e profissionais de outras áreas podem atuar no compliance, desde que apresentem as competências e habilidades necessárias. Vamos falar mais sobre elas:

1. Conhecimento técnico 

É necessário que o profissional entenda como é a estrutura do compliance, as etapas para a sua implantação e o trabalho que será realizado no dia a dia. Embora não exista uma graduação específica para a área, este conhecimento pode ser adquirido por meio de cursos e capacitações que abordam o tema

O programa de compliance é implantado a partir da avaliação de riscos que a empresa corre. É preciso identificar as vulnerabilidades em cada setor para, assim, estruturar as ações de mitigação dos riscos.

Feito isso, é elaborado um Código de Ética que irá nortear as diretrizes internas para que a empresa se mantenha em conformidade.

As normas e os procedimentos adotados deverão ser seguidos por todos os funcionários, sem exceção. Para isso, é importante realizar treinamentos de compliance que ajudem a fixar as informações.

O compliance officer também deve conhecer os mecanismos utilizados para a prevenção e a coibição de irregularidades, como o canal de denúncias, as auditorias, as avaliações e os processos de monitoramento. 

2. Compreensão do negócio

Não basta apenas o domínio sobre compliance, é preciso conhecimento do negócio. Neste aspecto, o profissional deve compreender:

  • a atividade que a empresa exerce;
  • a legislação e as regulamentações que a abrangem;
  • a atuação dos setores e dos colaboradores;
  • os processos internos;
  • quem é o público atendido;
  • quem são as empresas parceiras e como se dá o relacionamento com elas;
  • qual é a cultura organizacional;
  • o que é proposto como missão e valores.

É a partir do cruzamento de informações sobre o conhecimento que se tem sobre compliance e sobre a realidade da empresa que o compliance officer irá elaborar um programa específico que atenda às necessidades da empresa.

3. Habilidades comportamentais

Diante do trabalho que é exercido pelo compliance officer, algumas habilidades comportamentais são necessárias para garantir uma boa atuação. São elas:

  • Relacionamento interpessoal: o profissional irá lidar com toda a equipe da empresa e, por isso, é necessário saber se relacionar com as pessoas de forma educada, responsável, ética e confiável.
  • Boa comunicação: o compliance officer deve se expressar bem e, também, ter boa escuta. A primeira habilidade é essencial para transmitir as informações e conduzir treinamentos sobre o programa de compliance. Já a segunda é importante para a criação de uma relação de confiança com os colaboradores.
  • Integridade: é fundamental para um profissional que tem como principal objetivo estabelecer uma cultura organizacional ética e transparente. Ele deverá dar o exemplo em suas ações.
  • Aptidão aos estudos e à leitura: é importante estar atento às novas leis que são criadas e podem abranger o negócio. Por isso, é necessário que o compliance officer se mantenha atualizado, seja estudioso e goste de pesquisar.
  • Determinação: o trabalho do compliance é contínuo. Por isso, o profissional deve ser determinado e não desistir. É importante saber lidar com dificuldades, adaptar-se às mudanças que podem ocorrer na empresa, insistir para que toda a equipe esteja em conformidade, pensar soluções estratégicas e superar eventuais adversidades.
  • Inovação: a atividade do compliance é abrangente, mas o mercado tem disponibilizado soluções tecnológicas para facilitar essa rotina. É importante estar atento às inovações e saber como implantá-las. 

Mercado de trabalho para o profissional do compliance

O compliance officer pode atuar na iniciativa privada, em órgãos públicos e no Terceiro Setor. O mercado de trabalho está em expansão no Brasil, e é possível buscar uma vaga em pequenos, médios e grandes negócios.

Na iniciativa privada, podemos resumir que o compliance é fundamental para a sobrevivência dos pequenos negócios. Quando uma empresa não está em conformidade com as leis vigentes, ela fica sujeita à aplicação de multas e sanções que podem ocasionar um prejuízo financeiro capaz de levar à falência.

Para as médias empresas, o compliance pode ser um diferencial competitivo diante da concorrência, com potencial para atrair novos consumidores. Já as grandes companhias podem se beneficiar, ainda, com a atração de mais investimentos.

No setor público, o compliance oferece mais transparência às ações e melhora os processos internos, o que beneficia diretamente a população.

Já no Terceiro Setor, contribui para a maior credibilidade de associações, fundações e organizações não governamentais (ONGs), o que promove o estreitamento das relações com a sociedade e atrai parcerias.

As possibilidades de atuação do compliance officer são vastas, por isso, é importante estar atento às oportunidades que possam surgir. Uma dica é monitorar os sites de anúncios de vagas.

Quanto ganha o compliance officer?

Segundo informações do portal Trabalha Brasil, a remuneração média varia de R$ 2.079,18 a R$ 8.578,69, conforme o local que oferece a vaga e o nível, que vai de trainee a master. 

O salário médio de R$ 2.079,18 é oferecido por empresas de pequeno porte ao trainee de compliance officer. Já o valor médio de R$ 8.578,69 é atribuído ao profissional master que atua em grandes empresas.


O clickCompliance oferece soluções que otimizam o trabalho do compliance officer. Para saber mais, entre em contato com a gente e agende uma demonstração!
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Fique por Dentro
O início de um novo ano é sempre uma boa oportunidade para refinarmos as nossas qualidades como profissionais. E quando estamos passando por um momento de transformação do mercado, isso se torna ainda mais importante. Por isso, reunimos neste artigo as principais características de um bom compliance officer.

Com elas, você se torna um profissional de compliance preparado para lidar com os diversos desafios da ocupação, e também com um trabalho que está em processo de renovação e profissionalização cada vez maior.

Compliance Officer Coragem
1: Coragem

A primeira característica que todo compliance officer precisa ter é a coragem. Nessa linha de trabalho, você prepara a sua empresa e os funcionários para prevenir atos de corrupção, evitar condutas antiéticas e muitas vezes evitar desastres.

Além disso, é preciso muitas vezes ativamente combater costumes enraizados na cultura corporativa que envolvem a alta direção da empresa, e agente públicos importantes. Em momentos como esse, o profissional de compliance não pode tomar o caminho mais fácil e fechar os olhos para situações de risco por medo de retaliações.



Compliance Officer

2: Integridade

Outra característica fundamental nesse tipo de profissional é a integridade. A ética do compliance officer precisa ser inabalável e constante. Isso porque é ele quem vai precisar passar essa cultura para o resto da empresa.

Para conseguir perceber as oportunidades para fazer melhorias, e conseguir transmitir os pilares da integridade com confiança e credibilidade, sem cair na hipocrisia, os funcionários precisam saber que o compliance também se atém firmemente ao que ele prega.



Compliance Officer relacionamentos

3: Boas relações interpessoais

Essa característica tem relação direta com o trabalho que o compliance officer realiza no seu dia a dia. Primeiro, quando você é o contato para receber denúncias, denunciantes precisam confiar em você. Funcionários já tendem a hesitar na hora de denunciar, e se não acham que vão ser bem recebidos e tratados pelo compliance, é ainda mais difícil entrarem em contato.

Além disso, você representa o interesse da empresa como um todo, e algumas vezes isso significa ter que interferir ou dificultar processos de toda a hierarquia da organização. Para conseguir mediar isso, os interesses dos funcionários diferentes e os da empresa, é preciso construir uma boa relação com todos os envolvidos.



Compliance Officer

4: Estudioso e leitor

Dessa característica não tem escapatória: o compliance officer precisa gostar de ler, ou pelo menos não ter problema em ler muito, com frequência. O mesmo vale para estudar. Isso porque uma das tarefas principais desse profissional é adequação da empresa a leis e normas.

Para isso, o único jeito é conhecer profundamente essas regulamentações, o que exige muita leitura e estudo. Além disso, novas leis aparecem todo dia. Ou seja, o trabalho de estudo nunca tem fim, e é imprescindível para criar políticas e procedimentos adequados.



Compliance Officer minucioso
5: Minucioso

Ter atenção a detalhe é fundamental para um bom compliance officer. Até porque, como bem sabemos, basta não estar em compliance com um detalhe para trazer problemas e ações contra a empresa.

Ou seja, não só é preciso ser minucioso na leitura e compreensão das leis, como também na criação de políticas corporativas seguras e de procedimentos que cobrem todos os pontos importantes.

Além disso, o profissional de compliance também precisa ser minucioso na análise dos procedimentos já existentes para identificar riscos que podem parecer imperceptíveis, mas que, se não resolvidos, trazem grandes prejuízos.



Compliance Officer
6: Ter olho na inovação

Essa característica do compliance officer tem fundamento em diversas questões do trabalho desse profissional. O primeiro motivo disso ser importante é a inovação estar se tornando uma tendência forte nas empresas em todos os setores.

No entanto, pelas inovações serem sempre algo intrinsecamente novo e “desconhecido”, as regulamentações relacionadas a essas tecnologias ainda são muito turvas.

Por isso, o profissional de compliance precisa estar a par das últimas novidades, e de como as inovações são recebidas pelo mercado e pelas agências reguladoras, e seus potenciais riscos.

Além disso, a rápida complexificação do cenário regulatório é mais um motivo para ficar de olho na inovação. Com a digitalização das empresas e da globalização, empresas precisam estar conforme leis e regulamentos cada vez mais específicos e complexos.

Para isso, o compliance officer deve sempre estar atento à inovação e como ela pode facilitar seu trabalho para que ele seja sustentável.


 
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Entrevista
De 70 contatadas e 21 inscritas, o clickCompliance foi uma das 8 startups escolhidas para participar de um evento promovido pelo Vetor AG, aceleradora da construtora Andrade Gutierrez. O tema dessa rodada foi tecnologia e inovação em Compliance, e o Pitch Day teve a presença de várias parceiras e empresas convidadas para conhecerem as soluções.

As startups tiveram a oportunidade de conhecer outros players do mercado, e ainda fazer contato com possíveis clientes. Também receberam uma avaliação ao final para ajudar a entender sua percepção frente ao mercado.

Entrevistamos Eduardo Staino, Diretor de Compliance e Auditoria Interna da Andrade Gutierrez, sobre os desafios pré e pós Lava-Jato, e as dicas que ele tem para dar após 8 anos na empresa.

1 – Como tem sido trabalhar com o Compliance na Andrade Gutierrez depois de tudo que aconteceu no Brasil desde 2014?

Na verdade, a nossa jornada de Compliance começa antes da Lava-Jato, ainda no final de 2013 com a criação do novo Código de Ética. Investimos muito em treinamento, comunicação e auditoria interna e tem sido muito prazeroso contribuirmos para essa virada de página.

A Andrade Gutierrez é uma empresa que viveu tempos difíceis, e o mercado já reconhece que a ela viveu um período complexo, mas que hoje vive uma nova jornada. Sou muito feliz na minha cadeira aqui.

2 – Qual foi o maior obstáculo a ser superado em relação ao Compliance na Andrade Gutierrez?

A dificuldade principal que a Andrade Gutierrez viveu é que, paralelamente à Lava-Jato, o Brasil também viveu uma crise econômica e política. O país estar com o governo e a economia em crise foi uma tempestade perfeita. Resgatar a reputação da empresa nesse cenário foi muito desafiador.

3 – Que dica você dá para outros Compliance Officers menos experientes?

Eu acho que o conselho mais importante para uma implementação de programa de Compliance efetivo é o Compliance Officer conhecer bem não só o negócio, mas as pessoas na organização para que ele, assim, encontre o melhor caminho na implementação de atividades. A receita da Andrade Gutierrez não é a receita ideal para todas as empresas. A receita ideal é entender a realidade de cada empresa.

4 – O que foi o Pitch Day do Vetor AG?

O nosso objetivo era juntar 2 pilares da Andrade Gutierrez, que são Compliance e inovação, e conhecer o que estava acontecendo em termos de Compliance, principalmente em projetos de startups. Ao mesmo tempo, queríamos apresentar essas startups para o ecossistema de Compliance do Brasil. Por isso chamamos outras pessoas que admiramos para avaliar essas startups.

Um objetivo secundário é demonstrar à sociedade como a Andrade Gutierrez está empenhada no tema (Compliance). Por isso está recebendo as turmas, promovendo, gastando tempo e espaço, etc.

5 – O que você achou do resultado?

Fiquei supercontente com o resultado, primeiro porque as startups tiveram apresentações muito boas e acertadas dento do tempo que tinham. Além disso, é um evento gratuito, então às vezes as pessoas falam que vão, mas não vão. No entanto tivemos um resultado bom, inclusive tiveram alguns convidados que trouxeram mais pessoas com eles.

Outra coisa legal é que algumas startups já estão sendo contatadas por empresas que estavam lá. Não temos nenhum objetivo comercial com o evento, mas isso mostra que o nosso objetivo (apresentar essas startups para o ecossistema de Compliance) está sendo cumprido.

6 – Por que a inovação e tecnologia são importantes para o Compliance?

Nós enxergamos que a tecnologia pode ajudar nos desafios de Compliance principalmente em função de extensão geográfica e volume de stakeholders. A inovação pode trazer sistemas, plataformas, e Inteligências Artificiais para cumprirmos melhor nossos objetivos.

Por exemplo, em uma empresa com 20 mil empregados como a nossa, é impensável imaginar que vai conseguir atingir nossos objetivos sem o auxílio de tecnologia. Ajuda a área de Compliance no cumprimento de nossos objetivos e no atendimento à legislação.


Eduardo Staino é Diretor de Compliance e Auditoria Interna da Andrade Gutierrez e Professor no curso de Pós-Graduação em Compliance e no curso de extensão em Compliance FGV IBS BH.


 
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Entrevista
Leia abaixo uma entrevista que fizemos com o Presidente do Conselho de Governança e Compliance da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) Humberto Mota Filho sobre o Compliance no Brasil e seu novo livro, Compliance: O estado da arte. Veja o que ele comentou e veja suas dicas para profissionais de Compliance.

O que é Compliance, nas suas palavras?

Em primeiro lugar, o Compliance significa trazer mais integridade e ética para as relações dentro e fora das empresas. Nesse sentido, também, ajuda a trazer uma imagem positiva e de melhoria do ambiente de negócios.

O que você sugere para empresas que querem implementar da melhor forma o Compliance em sua empresa?

Primeiro, não copiar programas existentes de outras empresas, as políticas de integridade, políticas anticorrupção, etc. Fazendo isso, você está perdendo a oportunidade de mapear os riscos financeiros, operacionais e outros da sua própria empresa. O Compliance só se concretiza se você puder, ao final do processo de instalação, mapear os seus riscos e criar uma estrutura que te previne de riscos de forma sustentável ao longo do tempo.

Não precisa ser um processo caro nem complexo. Precisa se adequar a cada realidade e o tamanho de cada organização.

Qual foi a evolução do Compliance no Brasil?

Percebi em pelo menos 10 anos uma intensa evolução no sentido de as pessoas tomarem consciência da importância do Compliance na relação de negócios e mais ferramentas disponíveis para prevenir e monitorar riscos. Não só em relação ao Compliance, mas na gestão de governança e reputação, principalmente na grandes empresas e capitais.

Ainda assim existem desafios. Pequenas e médias empresas precisam se convencer de que essa realidade chegou para elas também. Tem a LGPD, que chegou agora e é uma realidade para todas. Também estão expostas a riscos com relação a agentes públicos, imagem, etc.

Além, disso, no interior e em cidades menores, empresas precisam tomar consciência dessa realidade porque vão participar de relações com grandes empresas e órgãos. Elas precisam estar aparelhadas para seguir esse novo modelo de negócio.

Como você vê o Compliance no Brasil nos próximos 5 anos?

Vejo dois grandes cenários possíveis sobre as tendências mais amplas do Compliance. Uma é a consolidação do mercado profissional com o amadurecimento de consultorias e profissionais especializados. Também prevejo um amadurecimento das ferramentas disponíveis, novas publicações, novos tipos de treinamentos, mais disciplinas em universidades, e um amadurecimento do ensino jurídico. Eu acredito mais nesse cenário de amadurecimento e consolidação.

Acredito menos, acho mais improvável, que as pessoas encarem o momento como apenas uma moda sem incorporar e vivenciar a cultura. Teremos perdido uma oportunidade de dar um salto ético no nosso meio empresarial e de negócios. Isso pode ter um impacto positivo ou negativo na produtividade das empresas e na economia. Temos que escolher o caminho melhor.

Por que você decidiu organizar o livro Compliance: O estado da arte?

Há tempos, com vários colegas e amigos, tenho discutido o Compliance nos negócios. Já editamos revistas no Instituto Compliance Rio e no ACRJ, sempre com retorno positivo. Veio então a ideia de consolidar o “estado da arte”, ou seja, as últimas tendências e experiências no Compliance, um resumo de regulações, do marco legal, etc., num único documento.

Era um desafio, mas procuramos nos cercar com os maiores membros da academia, membros de órgãos governamentais, etc. e colocar no papel.
É importante ressaltar que é uma obra coletiva e tem contribuições de muitos excelentes especialistas. É um livro plural, que reúne várias experiências de profissionais com visões diferentes. Espero que consiga refletir as últimas tendências e o estado da arte do Compliance.

O que o leitor ganha ao ler esse livro?

O leitor que vai ter contato pela primeira vez com o Compliance vai poder ver vários debates e a evolução dos temas do Compliance ao longo da última década. O livro vai permitir abrir um campo de conhecimento em várias frentes. Quem já conhece a realidade Compliance e do mercado vai se aprofundar nos temas e ver quais são ou não as próximas tendências.


Humberto Mota Filho é Presidente do Conselho de Governança e Compliance da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), membro da Comissão Especial de Anticorrupção, Compliance e Controle Social dos Gastos Públicos da OAB/RJ, Presidente do Conselho Editorial do Instituto Compliance Rio (IC Rio) e Doutor em Ciência Política e Mestre em Direito Empresarial.
 
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Como fazer



Primeiramente, iremos relembrar o termo Compliance, que nada mais é do que cumprir leis e regulamentações. Por tanto, o profissional denominado Compliance Officer, é o “agente da mudança”. Ele deve ser capaz de gerir um programa de Compliance eficaz que faça com que os colaboradores cumpram as normas, regras e sejam íntegros para o negócio em questão.

O programa de Compliance deve ser baseado em boas práticas que já se encontram bem estabelecidas mundialmente, mas sempre levando em consideração a realidade da empresa.

1. Boas práticas 

As boas práticas nos dizem que existem pilares que servem como base para a elaboração de um bom programa de Compliance, sendo eles:

1.2 Suporte da alta administração:

Garantir que os sócios da empresa compreendam que é necessário agir com integridade, ou seja, se trata da mentalidade do negócio.

1.3 Análise de riscos:

Momento que o Compliance Officer identifica os riscos expostos pela empresa no mercado.

1.4 Criação de políticas e procedimentos:

Essa prática tem como objetivo documentar os controles e processos feitos para evitar os riscos.


2. Desafios que o Compliance Officer enfrenta

Os principais desafios enfrentados pelo profissional da área de Compliance estão ligados à dificuldade em seguir todas as leis, normas e regulamentações. Afinal, a questão tributária brasileira é bastante complexa.

Outro ponto bastante complicado, é a questão de alguns processos ainda serem muito mão na massa, tornando o trabalho maçante. Como por exemplo, a verificação da documentação de algum colaborador da empresa ou o controle e gestão do fluxo de informações presentes no programa de Compliance.

Aplicar as normas e regras entre todos colaboradores, também é bastante difícil para o Compliance Officer, pois exige comprometimento para criar uma cultura de Compliance íntegra.


3. Soluções tecnológicas

Felizmente, a revolução tecnológica, globalização e o big data permitiram que as práticas de Compliance se tornassem cada vez mais automatizadas.

O surgimento de soluções inteligentes possibilita que o Compliance Officer crie um programa de Compliance automatizado mais eficaz e com um orçamento considerável. Sendo assim, ele pode estruturar práticas como:

  • Análises de crédito
  • Implementação de um código de conduta
  • Conheça seu cliente (KYC), fornecedor (KYE) e parceiro (KYP);
  • Prevenção à lavagem de dinheiro;
  • Programas de integridade;
  • Processos internos de auditoria

3.1 Automatização

As plataformas, softwares e processos automatizados permitem a redução no tempo consumido em atividades que antes eram manuais, através do uso de um grande volume de dados. Logo, o Compliance Officer consegue consultar de forma automática um alto número de fontes no menor tempo possível, otimizando e padronizando buscas necessárias.

O upMiner é um modelo de plataforma que consegue automatizar consultas em centenas de fontes de conhecimento disponíveis na internet, bureaus de crédito e bases de dados proprietárias, processando e cruzando milhares de informações sobre empresas e pessoas em tempo real.

3.2 Integração

Outra função desse tipo de ferramenta, é a possibilidade de integração entre as plataformas e outros sistemas já implantados, o que facilita a adoção de processos e soluções eficazes, tornando o trabalho menos maçante.

3.3 Treinamentos

Outra possibilidade que a tecnologia traz é a de realizar treinamentos de Compliance a fim de garantir eficiência ao passar o código de conduta para os colaboradores.

Ferramentas como softwares especializados em Compliance estimulam o engajamento e possibilitam que os treinamentos sejam registrados, o que evidencia a preocupação da empresa em adotar uma cultura de Compliance. Em casos de investigações e auditorias, pode auxiliar os departamentos que têm mais dificuldade em entender as leis e normas presentes.

O clickCompliance é uma referência no setor de gestão e controle de programas de integridade no Brasil, através de modelos de treinamento específicos e governança de documentos.

Dessa forma, podemos concluir que um dos papéis principais do Compliance Officer, na Era Digital, é o de estar ligado às soluções tecnológicas que vêm surgindo ultimamente, e analisar se alguma faz sentido com a necessidade real de seu programa de Compliance.

Se tornou muito mais fácil com a ajuda de plataformas e soluções inteligentes.

Na hora de planejar a necessidade de uma solução para a área, o Compliance Officer precisa levar em consideração pontos importantes para a rotina do setor.

Fazer as perguntas certas é fundamental!

  • Qual a vantagem competitiva que a solução proporciona?
  • Terei um impacto positivo na produtividade da área?
  • Consigo comprovar o investimento com resultados reais?

Tendo em mente tais questionamentos, chega a hora de alinhar a necessidade com a solução.

Compliance Officer e Suas Responsabilidades

4. O conhecimento do Compliance Officer para com a tecnologia

Muitas soluções surgem em um curto espaço de tempo, porém nem sempre estão alinhadas com a necessidade real de seu público.
O Compliance Officer não precisa entender que uma API é a solução ideal para sua rotina e sim, entender qual o valor real de se obtê-la.

Para gerenciar informações internas, atualizar o cadastro de fornecedores e parceiros, e realizar análises de funcionários, uma solução integrada pode ser a solução dos problemas!

Alguns pontos importantes que um Compliance Officer deve saber:

  • Integração: De uma maneira simplista, a integração permite a troca de informações entre os sistemas (ex: dados internos com dados externos).
  • Fontes de informação: no mundo digital, as fontes de informações são geralmente bases de dados onde o sistema extraí a informação ideal.
  • Software Cloud: software que não necessita de instalação, seu acesso é via rede de internet.

Se o Compliance Officer entender esses 3 pontos citados acima, certamente irá tomar uma boa decisão na hora de usufruir de uma solução para o seu dia a dia.

5. Alinhando Tecnologia com a estratégia

Ao desenvolver todo o planejamento estratégico para a área, o Compliance Officer precisa entender em quais ações será necessário o uso da tecnologia.

Consideramos 2 áreas de atuações fundamentais para utilizar a tecnologia no Compliance:

  • Tecnologia e análise de dados (inteligência).
  • Gestão de risco e investigações.

Uma pesquisa sobre a maturidade do compliance no Brasil realizada pela consultoria KPMG, mostrou que:

  • Apenas 24% das empresas possuem infraestrutura mínima voltadas para TI e análise de dados.
  • 18% não possuem infraestrutura.

Esses dados acabam tirando o destaque das empresas que possuem uma função de integração (23%) e que rodam sua inteligência com base em tecnologia e análise de dados.

Ter acesso a informação relevante e de qualidade é fundamental para uma boa tomada de decisão.

Um Compliance Officer que toma boas decisões, com base em dados, tem a probabilidade de diminuir os riscos de perda da sua empresa, seja com inadimplência de parceiros e fornecedores, ou fraude de funcionários.

É extremamente importante a área de Compliance ter independência para as decisões do dia a dia e levar a empresa para uma cultura ética, com uma governança eficiente.

6. Conclusão


Como podemos ver, a tecnologia está cada vez mais integrada entre os departamentos de uma empresa.

O Compliance Officer como o responsável por um dos setores mais importante da organização atualmente, precisa ter acesso a soluções que gerem impacto nas suas decisões.

Entender de tecnologia não deve ser um desafio para o Compliance Officer e sim, mais uma de suas atribuições para gerar impacto nas decisões de negócios.
 
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