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Anticorrupção, Fique por Dentro
Concorra a um exemplar do livro “O que é compliance? Conceitos e ferramentas na visão de um auditor interno” no nosso sorteio!

Tenho uma experiência robusta em auditoria interna. E nos últimos 15 anos, se concentrou em empresas ainda administradas pelas próprias famílias fundadoras. Em mais detalhes, são Sociedades Anônimas de Capital fechado. Na teoria sem qualquer obrigação de constituir um departamento de auditoria interna, mas na prática, sabem que não é possível sobreviver sem tais estruturas. Ainda mais com o advento da legislação brasileira anticorrupção.

E aí surge o primeiro dilema. Será que estas empresas haviam me contratado para criar seus departamentos de auditoria interna sabedores das responsabilidades que o board teria nesta empreitada?

Em todas as entrevistas que precederam minha contratação, as indagações foram as mais diversas possíveis. Em uma delas, meu entrevistador, c-level da corporação, me disse que minha presença ali era para fazer a empresa ganhar dinheiro. Já em outra empresa, ao ser entrevistado pelo dono, ele me disse que a empresa havia crescido muito e minha presença ali serviria para reduzir as taxas de juros dos fundings realizados para suportar a operação.

Em apenas uma delas, minha contratação foi conduzida de forma técnica, por um profissional de extrema competência. Mas pude constatar depois que isto não era sinônimo de facilidades, pois no comitê de auditoria, estavam, além deste que me entrevistou, os donos. É neles que residem os problemas.

O segundo dilema é como dizer aos donos das empresas que suas operações, pelo menos seu backoffice poderia melhorar sobremaneira se escutassem ou no mínimo lessem nossos relatórios?

Em poucas linhas lhes apresentei duas das maiores dificuldades que nós auditores internos temos em trabalhar em empresas que para os fins deste artigo, chamarei de familiares. A primeira é que muitas vezes os donos querem uma função de auditoria interna mas sequer sabem do que se trata. No mínimo pensam: “agora os ladrões desta empresa vão se dar mal. Contratei um Pitbull”.

E aí quando você chega na primeira reunião, apresentando seu primeiro plano, ainda sem uma matriz mais robusta de riscos, com resultados de suas primeiras entrevistas e prospecções, começa a falar de vulnerabilidade, materialidade, qualidade de controle, quantidade de controle, testes, amostragem, auditoria por indicadores, auditoria continua, você observa seus rostos e deduz duas coisas: Ou você conseguiu aplacar sua sede de controle e seus rostos expressam completa satisfação com o profissional contratado por eles, ou o que é mais provável, não estão entendendo nada e apenas se perguntam o custo mensal de toda esta parafernália.

Só que eles pensam, e aí vem a segunda dificuldade, que tudo ocorrerá em um prazo menor do que o necessário e que a operação irá se curvar a seu novo auditor, fazendo tudo o que indicamos, pois este é o desejo dos donos.

Isto até que funciona como propósito. Mas aí, quando nós auditores dizemos que apontaremos as vulnerabilidades, exigiremos os planos de ação para correção, mas é dos donos o papel de cobrar sua realização, aí a coisa muda de figura.

O que não é visto pelos donos é que auditoria interna, não é igual a outras áreas operacionais da empresa. Pelo princípio do “tone at the top”, o ritmo da música e como ela deve ser dançada deverá advir do dono, ou de qualquer estrutura por ele designada para tal. Há que haver envolvimento. E muito.

Desejar que suas estruturas de governança funcionem, e aí sim, alcançar os objetivos que definiu para seu negócio, deve passar obrigatoriamente pelo desejo de que àquilo dará certo. Mas não apenas porque é uma obrigação legal, ou virou moda. E sim pelo desejo legitimo que seu negócio seja bem-sucedido.

É fundamental o envolvimento dos donos nos assuntos da auditoria interna. Participei de várias reuniões de resultados, e o que me parecia é que nada fazia sentido para os participantes. Muitas vezes apresentávamos resultados robustos, incontestáveis, mas que pareciam insignificantes para o board.

Esta insignificância não se justificava em números, pois os valores recuperados pela Auditoria Interna faziam com que o custeio do departamento já se pagasse por alguns anos, ou seja, nosso custo para a corporação era menor do que o resultado que obtínhamos.

Mesmo assim não parecia bom para eles. E isto nunca fez sentido para mim. Ter um departamento de auditoria, que se pagava, e mesmo assim não ter o envolvimento do board, era muito estranho.

Isto me fez elaborar uma “pergunta de pesquisa”. Uso esta figura pois era uma das entregas que deveríamos fazer durante o curso de mestrado. E esta pergunta de pesquisa poderia ser a seguinte: Será que isto acontece somente com a auditoria interna e demais áreas relacionadas a governança corporativa?

Na certeza de que teria alguma resposta para esta pergunta, pesquisei sobre o tema, e a resposta que encontrei, na verdade não era uma resposta direta a minha pergunta, mas a certeza de que o nível de organização das empresas que chamo familiares, gera deficiências também as outras áreas e/ou atividades da organização.

No gráfico abaixo mostro resultado de pesquisa realizada pela Deloitte onde apresenta os problemas comuns das empresas familiares:



Não fico feliz com isto, pois tão importante quanto o robustecimento das atividades de governança é a implantação de rituais de gestão que pelo menos tornem a empresa compatível com as boas práticas de mercado.

Como poderia, por exemplo, implantar um canal de denúncias, onde o sigilo e segurança das informações são a pièce de résistence se tenho problemas como baixa gestão da informação?

E uma palavra apenas pode ser o início da mudança que os donos querem. Desejo. Desejar que não haja mais compadrio nas relações profissionais, que não haja decisões de corredor, que haja estratégia definida, que empresa não seja chamada da “empresa de fulano”, mas sim reconhecida por seu valor, marca e capacidade de cumprir a missão para qual foi criada.

Quando pela primeira vez finquei meus pés em uma empresa familiar, me assustei com a quantidade de doutores que havia na corporação. Tanto os donos, quando diretores eram chamados por doutores. E depois constatei que sequer possuíam doutorado, ou eram médicos ou qualquer outra carreira onde fossem considerados doutos em algo.

De pronto percebi que havia uma estrutura organizacional retrógrada, com um elevado grau de subserviência e o que me esperava não me agradava muito.

Durante a sequência de trabalhos, estes foram fluindo, mas os planos de ação e resultados que deveriam ser medidos pela mitigação dos riscos apresentados, não surgiam. Descobri que havia uma forte influência dos doutores que sabendo não haver nada que os exigissem a cumprir as ações discutidas com a Auditoria Interna, deixavam de lado.

Outras experiências vieram, e não foram poucas. E esta que lhes trago, faz menção a baixa institucionalização e estratégia.

Agendamos a reunião com comitê de auditoria. O comitê era composto por duas pessoas da família dona da empresa, o Chief Executive Officer (CAE), três diretores e eu. Os diretores eram da área financeira, controladoria e outro da parte técnica. A pauta da reunião incluía apresentação dos resultados que a auditoria interna gerou no exercício anterior e submeter o plano de auditorias para o exercício que se iniciava.

A primeira constatação é de que nenhum dos presentes, além do CAE e eu, leram o material suporte da reunião. E isto gerava uma série de perguntas desnecessárias e inócuas. Mas pacientemente respondíamos aos questionamentos.

Em um dado momento da reunião, um dos pontos críticos que abordamos, gerou atrito entre os três diretores que passaram a defender-se e acursarem-se ao mesmo tempo. Ocorre, que na presença dos donos, não há como nos metermos a querer colocar ordem na reunião, dado que seria desrespeito, ou algo do tipo.

Contudo ao olharmos para os donos, víamos um certo deleite em seus rostos, pois observavam atentos ao embate entre os diretores, sem esboçar qualquer reação, ficando claro para mim que o embate entre diretores, poderia trazer mais resultados para ele, do que o apresentado por nós.

Fatos como estes, vivenciados em diversos momentos de minha carreira, apesar de eventualmente serem desgastantes, aprofundam a experiência que temos. Minhas palavras neste artigo estão longe de serem um desalento àqueles que como eu nutrem um profundo respeito pelas empresas familiares que ainda são conduzidas por seus fundadores ou gerações subsequentes.

Minha experiência mostra que há um tempo de evolução, um timing para que as mudanças ocorram. E quanto maiores forem os níveis de inconformidade dos conselhos de administração e de sua capacitação, menores serão os intervalos entre a identificação das necessidades e as ações que as aplaquem. Exemplo disto, é que em uma das empresas nas quais trabalhei, a auditoria interna foi extinta após minha saída.

E quando sua retomada foi planejada, a primeira pessoa que contrataram foi um profissional de alta senioridade, que não seria responsável pela condução dos trabalhos, mas sim de fazer a interface entre o Conselho de Administração e a Auditoria interna. Exercendo uma espécie de coaching.

Tais ações demandam uma quebra importante dos paradigmas que apontei neste artigo, dentre estes àquele que se relaciona a não mexer em time que está ganhando, para fazer alusão a um dito popular.

Quebrar paradigmas é na minha opinião, e auditor tem opinião para tudo, a mola mestra para se superar a cada trabalho, não se contentar com o médio, mas sim buscar a excelência profissional, sempre em Compliance com as normas internacionais ( IPPF) ditadas pelo Instituto dos Auditores Internos – IIA, da qual apresento o seguinte extrato:

1220.A1 – Os auditores internos devem exercer o zelo profissional devido levando em consideração:

  • A extensão do trabalho necessária para alcançar os objetivos do trabalho de auditoria;
  • A complexidade relativa, a materialidade ou a significância dos assuntos aos quais os procedimentos de avaliação (assurance) são aplicados;
  • A adequação e a eficácia dos processos de governança, gerenciamento de riscos e controles;
  • A probabilidade de erros significativos, fraudes ou não conformidades; e
  • O custo da avaliação (assurance) em relação aos potenciais benefícios


A despeito do que apresentei neste texto, o que pode gerar alguma impressão de tristeza ou frustração de minha parte por vir atuando há tanto tempo em empresas familiares, vejo um vasto mundo de oportunidades dentro destas empresas.

A legislação atual, principalmente a lei 12.846/2013, decreto lei 8420/2015, demanda uma série de controles e ações que as empresas em geral devem implantar como mecanismo de blindagem da ocorrência de ilicitudes, ou pelo menos, que na eventualidade de sua ocorrência, que as mesmas causem impactos com baixo grau de materialidade.

Estou muito confiante no momento de recuperação que nossa sociedade vivencia. Minha crença é de que nós auditores internos temos um papel marcante na construção de uma sociedade melhor, a partir de sua atuação nas ações para tornarem as empresas melhores, favorecendo um ambiente de negócios saudável, onde as relações entre seus atores sejam sempre sinônimo de prosperidade.

Continuemos íntegros!


Rui Bezerra Silva é Auditor Interno, com passagem pelos segmentos de Energia, Portos, Hospitais e Oil & Gas. É Mestre em Administração e Bacharel em Ciências Contábeis. Co-fundador do Canal da Integridade, do Projeto Mente Integra, professor, palestrante, mentor e Autor do livro: O que é Compliance? Conceitos e ferramentas na visão de um auditor interno.” (ed. Albatroz – 2018)
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Eventos, Fique por Dentro
A inteligência artificial é uma tecnologia que vem sendo usada cada vez mais nas empresas. Inclusive, já tem tempo que deixou de ser apenas um diferencial e se tornou uma necessidade.

Muitos podem acreditar que entender o que é e como funciona a I.A. é uma preocupação exclusiva dos profissionais de tecnologia. No entanto, nós acreditamos que os profissionais de compliance devem entender também de conceitos e teorias sobre o tema.

Por isso, vamos fazer uma introdução à inteligência artificial para o compliance officer para que esse profissional possa começar a conhecer melhor essa tecnologia e aplicar melhor na sua empresa e trabalho.

Você também pode aprender sobre tecnologia para o compliance no nosso evento Compliance Talks Live. O tema dessa edição é justamente o compliance e a I.A.

O que é exatamente a inteligência artificial?

Em termos bastante rudimentares, a I.A é a capacidade de computadores e a resolverem problemas ao aprender com seus erros.

Uma definição tradicional é “a capacidade de um sistema de interpretar corretamente dados externos, aprender com esses dados e usar esses aprendizados para atingir metas e tarefas específicas por meio de adaptação flexível”.

Uma das formas mais conhecidas de fazer isso é através do aprendizado de máquina (machine learning). Isso é quando um computador é programado para começar a detectar padrões em grandes quantidades de dados.

Um humano fornece uma base de informações e características de uma coisa. O programa vai analisar essas informações e buscar correspondências em outras bases de dados que ele ainda não conhecia.

Por exemplo, filtros de spam em caixas de e-mail. Um programa analisa diversos e-mails marcados como spam.

Ao analisar características em comum, ele vai buscar essas mesmas características em e-mails novos que chegam e identificá-los como sendo da mesma categoria.

Inteligência Artificial na Prática

Essa tecnologia pode ser usada em diversos setores, não só o compliance. Alguns dos mais comuns são:

  • Aviação
Os aeroportos usam a I.A. para fazer a distribuição mais eficiente dos aviões nos portões, e para determinar preços de passagens.

  • Indústria
Robôs que usam a I.A. são cada vez mais usados para realizar trabalhos repetitivos que podem ser perigosos ou ineficientes quando feitos por humanos.

  • Mercado Financeiro
O mercado financeiro frequentemente usa algoritmos para fazer análises cada vez mais complexas.

  • Compliance
Algumas aplicações da inteligência artificial para o compliance são em canais de denúncias, monitoramento de legislação e análise de big data.

Compliance Talks

Nesse evento vamos fazer uma introdução mais completa do tema de Inteligência Artificial e Integridade, com várias dicas e espaço para dúvidas.

A primeira edição, no dia 28/05, vai ser uma introdução ao tema e uma explicação do que é e como funciona a I.A., além de exemplos práticos mais abrangentes.

A segunda data, no dia 04/06, vai abordar mais especificamente a inteligência artificial para o compliance, como sua evolução no mercado, exemplos de possibilidades e como você pode implementar na sua empresa.

O palestrante será Marcelo Erthal, CEO do clickCompliance e especialista em inovação e tecnologia para programas de Compliance e Integridade.

Uma inscrição no site já vale para ambas as datas.
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Fique por Dentro, Governança de Documentos, Treinamento de Compliance
Investir em tecnologia e em soluções novas é uma das grandes tendências das empresas que querem se manter relevantes e no mesmo nível do mercado. Com o compliance, não é diferente. É possível adotar soluções como um software de compliance que tornam o trabalho muito mais eficiente.

Investir em uma solução como essa pode trazer diversos benefícios para o trabalho do compliance officer e para a empresa, como:

  • Redução de custos
  • Mais tempo para tarefas que exigem cuidado humano
  • Velocidade
  • Precisão de resultados
  • Segurança de documentos e informações

Esses são apenas alguns dos resultados que uma boa solução oferece. No entanto, não é toda empresa que realmente precisa fazer o uso de uma ferramenta especializada.

Se você ainda não sabe o que é melhor para a sua empresa, dê uma olhada nos 6 sinais de que você precisa de um software de compliance. Se você, sua equipe ou sua empresa se identifica com algum deles, você já deve começar a buscar opções.

1: Você realiza muitas tarefas repetitivas

Uma das características da automação é a realização de tarefas repetitivas. Ou seja, uma mesma coisa que precisa ser feita sempre.

Um exemplo é solicitar aos funcionários que aceitem uma política. Isso precisa ser feito o tempo todo, e é sempre igual. Esse é o tipo de tarefa que pode ser feita por um software.

Outro exemplo seria enviar uma nova política para ser aprovada por superiores, por exemplo. Esse envio é sempre igual, e precisa ser feito toda vez que uma política for criada ou modificada.

Se você perceber que você ou sua equipe gastam muito tempo fazendo tarefas desse tipo, vocês ganhariam muito mais tempo com um software de compliance.

2: A empresa tem mais de 100 funcionários e ainda imprime muito papel

Hoje em dia não existe motivo para gastar muito papel com o compliance (e nem com qualquer outro setor). Não é só por uma questão de sustentabilidade, que por si só já é um forte argumento. Alguns pontos negativos são:

  • Desorganização/perda de arquivos
  • Falta de espaço
  • Ineficiência para busca e consulta de documentos

Em empresas pequenas, a quantidade de documentos é pequena, então acaba não tendo um consumo muito grande de papel. Mas se o número for superior a esse, já é hora de buscar ferramentas de automação.

3: Você precisa se deslocar para mais de uma unidade para realizar treinamentos

Os treinamentos são uma parte indispensável do programa de compliance. Precisam ser feitos periodicamente, e todos os funcionários devem estar atualizados.

Além disso, é importante ter treinamentos sobre diversos temas relevantes para a sua empresa.

Fazer esses treinamentos já é uma tarefa complicada, independentemente de ter outras unidades.

No entanto, quando algum profissional precisa se deslocar para fazer esses treinamentos, o custo se torna muito mais alto, e o desperdício de tempo também.

Se isso acontece na sua empresa, é preciso adotar uma ferramenta que permita realizar os mesmos treinamentos para todos os funcionários em todas as unidades da empresa.

Além disso, é bom ter uma opção que facilite a cobrança do treinamento toda vez que um funcionário novo entrar, ou algum mudar de área, como faz o clickCompliance.

4: Segurança digital é um risco relevante na empresa

Se a segurança digital é um risco real na sua empresa, é um sinal de que deve ser adotado um sistema de compliance, apesar de muitos ainda acreditam que é a opção menos segura.

Os softwares em nuvem possuem diversas salvaguardas e configurações que o tornam extremamente seguros.

No entanto, precisam ser colocadas em prática de forma cuidadosa pela equipe de TI ou com a ajuda de alguma consultoria ou empresa especializada.

Além disso, o software precisa ser hospedado em algum lugar, e isso acontece na nuvem de grandes empresas da tecnologia.

O clickCompliance é parceiro da Microsoft, e por isso é hospedado na nuvem deles, o Microsoft Azure. Ou seja, clientes que usam o clickCompliance contam com todas as salvaguardas e proteções da Microsoft

5: Você sente que suas políticas estão desorganizadas

Parte do objetivo de um sistema de compliance é, também, organizar processos e, se for o caso, de políticas e documentos.

O que acontece com frequência em empresas que ainda não têm um software de compliance implementado é que ainda usam muito papel e possuem processos manuais.

Quando se depende muito do trabalho humano, e ainda precisa lidar com documentos físicos, o estado das políticas corporativas acaba ficando confuso, é difícil manter todos os funcionários a par da situação das políticas e funcionários, etc.

Se você ou sua equipe sentem que o trabalho está desorganizado ou um pouco enevoado, não se preocupe, não é culpa de vocês.

A quantidade de documentos, políticas e processos se tornou muito grande, e é necessário investir em uma ferramenta que faça uma melhor gestão deles. 

6: Você faz parte de um setor altamente regulamentado

Esse é o último, e talvez o mais relevante sinal de que você precisa adotar um software de compliance.

Se você faz parte de um setor altamente regulamentado (financeiro, saúde, etc.), não só você deveria procurar um software de compliance, como já deveria ter um.

Isso é importante por dois motivos: primeiro, porque novas regulamentações surgem a cada dia e o cenário precisa ser acompanhado sempre e com cuidado. O programa de compliance deve conseguir se adaptar a essas mudanças rapidamente.

O segundo motivo é que empresas desses setores estão sempre sendo muito bem vigiados por agências e órgãos de fiscalização. Além disso, as sanções são pesadas e auditorias e investigações são frequentes.

Uma ferramenta de compliance garante velocidade e precisão para se manter sempre atualizado, além de produzir indicadores e relatórios atualizados conforme são solicitados por autoridades.

Sua empresa consegue garantir que está conforme todas as recomendações e que seu programa de compliance está em dia e funcionando.

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Fique por Dentro, LGPD
O privacy by design é um conceito que começou a aparecer bastante recentemente, inclusive no compliance. Apesar de ser originalmente pensado para setores da tecnologia, se tornou muito importante para quem trabalha com regulamentação.

Isso porque a General Data Protection Regulation (GDPR), que originou a LGPD, menciona a estratégia nominalmente e explica a importância dela para a proteção de dados pessoais.

O que é privacy by design?

O privacy by design é uma abordagem à engenharia de sistemas que, basicamente, diz que um produto ou sistema precisa ser pensado para proteger os dados dos usuários desde sua concepção.

Ou seja, o sistema teria que ser criado já pensando em salvaguardas e funcionalidades para proteger os dados.

Para que isso seja feito de forma padronizada e para guiar os engenheiros de sistemas, existem os pilares do privacy by design:

  • Proativo não reativo; preventiva não corretiva: No privacy by design, não existe a reação a problemas de privacidade e sim a antecipação dos problemas. Também conta com monitoração para identificar riscos e constantemente criar soluções antecipadamente;
  • Privacidade incorporada ao design: O usuário terá o controle para alterar as configurações padrão e optar por fornecer ou não seus dados sem perder o acesso ao produto ou serviço;
  • Funcionalidade completa: O produto ou serviço deve ser plenamente utilizável se o usuário não alterar as configurações de privacidade. Não pode haver vantagem ao usuário caso altere a configuração de privacidade.
  • Segurança de ponta a ponta: Quando o usuário autorizar a coleta de algum dado, o tratamento deve ser de forma segura durante todo o ciclo de vida do dado;
  • Visibilidade e transparência: O produto ou sistema precisa, obrigatoriamente, ser facilmente auditável por terceiros, como organizações de fiscalização. É preciso que a empresa tenha forma de apresentar evidências de seus esforços em proteger os dados pessoais;
  • Respeito pela privacidade do usuário: Devem ser estabelecidas diretrizes de segurança da informação que assegurem: confidencialidade, integridade e disponibilidade dos dados e informações durante todo o ciclo de vida;
  • Privacidade como configuração padrão (Privacy by Default): Essa é uma garantia dentro do desenho da privacidade.

O que tem a ver com a LGPD?

O privacy by design tem a ver com a LGPD porque tem a ver com a GDPR. Na lei brasileira, não é citado o conceito nominalmente, mas as referências diretas aos princípios são perceptíveis.

Já na lei europeia, no Artigo 25 intitulado “Data protection by design and by default” é dito que:

“O controlador deve, tanto no momento da determinação dos meios de processamento quanto no próprio processamento, implementar medidas técnicas e organizacionais apropriadas […] para implementar princípios de proteção de dados […] de maneira eficaz e integrar as salvaguardas necessárias ao processamento”.

Ou seja, mesmo que não dito explicitamente na nossa lei, fica bem detalhado os processos e princípios como obrigação das empresas.

Além disso, como a GDPR é mais abrangente, é uma boa prática se basear principalmente nela para implantação de programas de compliance de privacidade de dados.

No entanto, é importante lembrar que a LGPD tem suas particularidades, e empresas precisam conhecer bem ela também.

Qual o dever do profissional de compliance?

Por enquanto, o que vimos é principalmente relacionada à concepção de produtos e sistemas. Por exemplo, que o sistema da empresa apague completamente dados automaticamente, encerrando seu ciclo de vida.

O que ainda acontece em muitos casos é que os dados são armazenados pela empresa após o tratamento inicial. Podem até chegar a serem utilizados novamente para outro fim no futuro.

Com as novas leis isso é ilegal, visto que o titular precisa autorizar os diferentes fins que terão esses dados.

Mas o profissional de compliance ainda terá muito trabalho, não só os profissionais de TI. São 4 principais funções para o compliance com a LGPD e o privacy by design:

  • Guiar a empresa com seu conhecimento sobre as leis
  • Comunicar sobre o tema
  • Monitoramento
  • Produzir evidências

Guiar a empresa com seu conhecimento sobre as leis

Primeiramente, nenhum funcionário deverá conhecer melhor as leis sobre privacidade de dados que o profissional de compliance.

Esse conhecimento profundo sobre o que a empresa precisa e pode fazer é o que servirá para guiar os outros setores a implementarem seus processos.

Por isso, uma função do compliance será acompanhar de perto a implementação de todas as normas previstas nas leis sobre proteção de dados com a ajuda do DPO.

Comunicar sobre o tema

Outra atribuição do profissional de compliance sobre privacy by design é assegurar que o conceito esteja bem comunicado dentro da empresa. Isso inclui campanhas internas, como também treinamentos periódicos e políticas e processos bem compreendidos pelos funcionários.

Monitoramento

Outra responsabilidade do compliance é fazer o monitoramento desses processos e das campanhas implementadas. Isso também pode ser feito com o acompanhamento do DPO, dependendo da empresa.

Produzir evidências

A última responsabilidade do compliance é produzir evidências do seu programa de compliance de dados. Ou seja, estar preparado para mostrar a autoridades fiscalizadores os dados que mostram que a empresa tem se esforçado para estar em compliance.

Em ambas as leis (LGPD e GDPR) e nos princípios do privacy by design é deixado explícito que é dever da empresa fornecer dados que comprovem seus esforços em mitigar os riscos relacionados à privacidade de dados.
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Fique por Dentro
Olá pessoal, eu sou Marcelo Erthal, o CEO do clickCompliance. Normalmente não venho fazer textos aqui no blog, mas esse tempo que estamos vivendo não é normal não é mesmo?

Queria aproveitar esse espaço para refletir um pouco sobre o momento pelo qual as pessoas, as empresas e os países estão passando.

Atravessar uma pandemia é difícil, preocupante e assustador, com certeza. Mas, a meu ver, é também a nossa oportunidade de mostrar que nem uma Pandemia grave e nem o trabalho de casa podem parar o compliance.

Temos à nossa disposição, hoje, infinitas ferramentas e possibilidades para garantir que o máximo das nossas operações continue normalmente, mesmo que de casa. Isso é importante para diversos motivos.

O primeiro é que, para funcionários que estão em quarentena, manter-se ocupado com o trabalho e ter uma rotina normal os distrai das infinitas notícias e histórias que, se consumidas em excesso, como acontece quando não se tem outra coisa com o que se preocupar, acabam fazendo mais mal para a saúde mental do que bem.

O segundo é porque o compliance, principalmente, é um pilar de comportamento, um direcionador de ações em situações previsíveis e imprevisíveis. Em momento de incerteza, é nele que nos pautamos para seguir um caminho com integridade. Por isso ele deve continuar funcionando normalmente, buscando uma forma de continuar suas operações de forma remota.

O terceiro motivo é que o compliance veio longe demais no Brasil para ter suas atividades interrompidas e regredir agora. Como quem trabalha com compliance bem sabe, riscos, a anticorrupção e a integridade não param.

Por isso tudo, as empresas, mas principalmente os profissionais de compliance, também não podem parar, e também não podem deixar que o home office diminua seus programas e suas atividades. A dificuldade que enfrentamos é ter ferramentas e criatividade para seguir com o nosso trabalho nesse novo cenário de trabalho remoto.

Nós no clickCompliance estamos fazendo o possível para manter as operações normais, mesmo com a equipe toda estando em home office, seguindo todas as recomendações de especialistas e reafirmando a nossa responsabilidade em contribuir para o fim dessa pandemia.

No clickCompliance temos o benefício de sermos um tanto experientes em tecnologia, e sempre tivemos a estrutura necessária para garantir um trabalho remoto tão bom quanto o que fazíamos no escritório. Mesmo que seja uma decisão repentina, como foi dessa vez (estamos trabalhando de casa desde o dia 17 de março).

Apesar disso, também entendemos que a transformação digital ainda não chegou em todas as empresas (embora esse processo esteja muito atrasado). Nem toda empresa e nem todo setor de compliance consegue se manter na prática em momentos de emergência.

Por isso, eu e o clickCompliance queremos oferecer a nossa experiência e orientação para tentar fazer com que esse momento não seja de paralisação, medo e incerteza, e sim apenas uma mudança temporária de estilo de vida, mas de manutenção da produtividade.

A primeira coisa que preparamos é um template pronto de uma política corporativa para home office. Nela, você vai encontrar um texto com boas práticas para os funcionários manterem a produtividade, e também regras da empresa para a realização desse tipo de trabalho.

É facilmente editável se sentirem a necessidade de algum tópico ou se já tiverem alguma regra específica da empresa. O link para baixar é aqui (o pack também inclui mais 10 templates de outras políticas): https://recursos.clickcompliance.com/10-modelos-politicas-compliance-empresa/

Espero que seja útil para você e sua empresa!

Além disso, eu vou apresentar um webinar sobre compliance e programas de integridade para home office. Vou apresentar ferramentas, tirar dúvidas e basicamente mostrar o que podemos fazer para que o compliance não pare só porque estamos em home office.

O link de inscrição é esse: https://recursos.clickcompliance.com/webinar-compliance-homeoffice/

Vamos continuar fazendo o possível para ajudar a atravessar esse momento complicado da forma mais natural possível, e ressurgindo com mais confiança no nosso trabalho e na sua importância.

Também vamos continuar buscando mostrar para todas as empresas do Brasil que a transformação digital é uma necessidade para todos os setores. Não existe setor “burocrático demais” para isso (embora já mostramos que o compliance não é burocracia).

O momento de investir em soluções e processos de transformação digital não deveria ser agora, mas ainda há tempo para começar (até porque ainda não sabemos o quanto tempo isso vai durar), e ainda é possível se prevenir para o futuro.

Lembre-se: O COVID-19 não pode, e nem vai nos parar.

No clickCompliance estamos sempre disponíveis para quem só quer tirar dúvidas e entender o que a transformação digital pode fazer pela sua empresa.


Marcelo Erthal no Comet Competition 2019

Marcelo Erthal é CEO do clickCompliance. 

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Fique por Dentro
Governança corporativa e compliance são duas estratégias muito importantes para a gestão e administração de uma empresa. São conceitos que contribuem para a longevidade e qualidade do negócio.

No entanto, às vezes é difícil entender a diferença entres eles. Diferenciar é importante para você conseguir, por exemplo:

  • Escolher qual a melhor estratégia para os objetivos da sua empresa
  • Decidir em qual das duas áreas você quer atuar
  • Saber qual das duas (ou nenhuma, ou as duas) é aplicada na sua empresa

Além disso, vamos abordar outro conceito importante: o programa de integridade, que costuma ser confundido com o compliance. Por isso, também vamos explicar onde ele se encaixa na estratégia da gestão da empresa e quais as suas particularidades.

O que é a governança corporativa?

A governança corporativa é uma estratégia mais ampla. Seu objetivo amplo é garantir a confiança dos stakeholders da empresa. Ou seja, mostrar para acionistas, clientes, fornecedores, o governo, seus funcionários e muito mais que a empresa é confiável.

Para conseguir fazer isso, a governança corporativa propõe objetivos menores, o de gerir a empresa com base em 4 fundamentos da governança corporativa:

  • Transparência: estar aberto a atender perguntas e demandas de stakeholders e ter meios de mostrar seus processos. Gera confiança e segurança.
  • Equidade: cobrar deveres e dar direitos a todos os stakeholders, sem diferenciação. Ou seja, tratar acionistas e clientes finais com o mesmo respeito.
  • Prestação de contas: estar disposta a se responsabilizar plenamente pelos seus atos. Mostra responsabilidade e preocupação.
  • Responsabilidade Corporativa: crescer e fazer negócios de forma eficiente, sustentável e também responsável.

O que é o programa de compliance?

O programa de compliance já é uma estratégia um pouco mais específica. Em vez de focar em cultura geral da empresa e da sua apresentação para stakeholders, o compliance foca em manter a empresa de acordo com normas e leis.

Ou seja, a governança corporativa e compliance podem ser divididos em um objetivo principal e objetivos menores que possibilitam o primeiro. No caso do compliance esse objetivo principal é estar em conformidade com todas as normas e leis.

Para alcançar isso são instituídos processos e estratégias seguindo os 9 pilares de um programa de compliance:


Através do apoio da alta administração, de controles, treinamentos, auditorias, etc., a empresa consegue estar (e provar que está) em conformidade com todas as leis que dizem respeito a ela.

Dependendo da empresa, podem existir programas de compliance mais específicos, como compliance ambiental, compliance imobiliário, compliance tributário, compliance trabalhista, compliance anticorrupção, etc.

Já em algumas empresas não é necessário ter processos e controles para cada um desses tipos específicos, podendo focar em processos e leis mais gerais. Por exemplo, a Lei Anticorrupção, que abrange todos os tipos de empresa.

Então qual a diferença entre governança corporativa e compliance?

Que conclusão podemos tirar disso? A governança corporativa tem o objetivo de mostrar confiabilidade e responsabilidade aos stakeholders. O programa de compliance é justamente uma das formas de fazer isso. Portanto, o programa de compliance pode ser uma parte de uma estratégia maior de governança.

Mostrar os processos que a empresa mantém para estar em conformidade com leis (o programa de compliance) diminui drasticamente as chances de multas, desvalorização, falência ou problemas com reputação. Tudo isso pode afetar a confiança dos stakeholders na empresa.

Mas é importante lembrar que a governança como um todo ainda pode conter outros programas e estratégias.

O que é o programa de integridade?

Já o programa de integridade é outro conceito que pode ser confundido com programa de compliance. A diferença está, novamente, no objetivo.

Enquanto o compliance foca em estar em compliance com leis e normas, a integridade foca na prevenção a atos ilícitos e antiéticos cometidos por funcionários ou terceiros.

O programa de integridade é focado nesses colaboradores que representam a empresa, e busca criar uma cultura de ética e integridade entre eles para minimizar riscos que vêm com a corrupção ou falta de compliance.

Ou seja, atacar problemas como corrupção pela raiz do problema, na cultura da empresa e dos colaboradores. Isso é feito conforme os 5 pilares do programa de integridade:

  • Comprometimento e apoio da alta direção
  • Definição de instância responsável
  • Análise de perfil e riscos
  • Estruturação das regras e instrumentos
  • Estratégias de monitoramento contínuo

Como programas de compliance e integridade se relacionam?

Como entre governança corporativa e compliance, o programa de integridade pode ser uma das formas de atingir o objetivo do compliance. Por exemplo, uma das consequências da falta de compliance são irregularidades e corrupção na empresa.

Já uma das formas de corrigir é buscar resolver o problema da falta de compliance com normas e políticas corporativas, como códigos de ética, através de um programa de integridade.

Ou seja, no final, temos a seguinte relação entre os três conceitos abordados:

Governança corporativa, e programa de compliance
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