

Os pilares do compliance orientam as empresas a atuarem com ética,transparência e em conformidade com leis, regulamentos e normas internas. Dessa forma, moldam a base de um sistema que sustenta a integridade e fortalece a governança corporativa, mas, para cumprir essa função, não podem permanecer estáticos.
Ao longo do tempo, esses pilares precisam evoluir conforme o contexto e as transformações do mercado. O avanço da tecnologia, o aumento das exigências regulatórias e a maior cobrança por ética, transparência e responsabilidade corporativa têm exigido programas de compliance mais maduros e conectados à realidade.
Por isso, além dos pilares já conhecidos e consolidados, como controles internos, treinamentos, auditorias, investigações internas e o suporte da alta administração, novos conceitos têm ganhado espaço na orientação sobre como conduzir os negócios. Quer entender quais são eles e por que se tornaram tão relevantes? Continue a leitura e conheça os pilares mais modernos do compliance para fortalecer a sua organização.
O compliance moderno não se baseia mais em um conjunto de controles formais, Agora, mais do que nunca, ele está diretamente conectado à estratégia corporativa, à reputação da empresa e à sustentabilidade do negócio.
Com isso, seus pilares já não se limitam à lista tradicional e passam a considerar fatores como cultura organizacional, uso de tecnologia, práticas ESG, mecanismos de proteção e transparência nas relações.
A seguir, conheça os quatro pilares que refletem a evolução do compliance:
Nenhum programa de compliance se sustenta sem o engajamento genuíno da alta administração. São os líderes que definem a cultura da organização e influenciam o modo como os valores se traduzem na prática,
Quando a liderança atua com coerência e integridade, a cultura organizacional tende a se espalhar de maneira consistente por todos os níveis da empresa. Contudo, mais do que aprovar políticas, os líderes precisam ser referência no dia a dia, demonstrando, por meio de decisões e comportamentos, o compromisso com a ética e a conformidade
Estudos reforçam a relevância desse pilar. Segundo dados da Gartner, organizações que incorporam a cultura ao trabalho diário dos colaboradores registram aumento de até 34% no desempenho e de 63% no engajamento.
Ainda de acordo com a pesquisa, isso significa integrar valores e comportamentos às tarefas, decisões e interações cotidianas, permitindo que a cultura seja percebida e vivenciada nos processos de negócio. Quando isso acontece, os funcionários conseguem ver esses valores em ação e reforçá-los por meio do trabalho.
Mas, para que os valores não pareçam abstratos, é fundamental definir os comportamentos esperados, o que pode ser feito a partir da estruturação de uma política interna. Essa clareza reduz interpretações abstratas, orienta as equipes sobre o que deve ser incentivado ou evitado efortalece a confiança na cultura ética que a empresa busca consolidar.
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Segundo um levantamento da Zurich, a maturidade das empresas brasileiras na gestão de riscos cibernéticos avançou nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, o percentual de organizações com classificação de risco considerada insatisfatória ou ruim caiu de 93% para 55%, indicando uma evolução gradual na preparação para enfrentar ameaças digitais.
Esse movimento está relacionado, sobretudo, ao aumento da frequência e da sofisticação dos ataques, à adoção de regulamentações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, nº 13.709) e à maior conscientização da alta liderança sobre os impactos dos riscos cibernéticos nos negócios, conforme relatam os especialistas da empresa à imprensa.
Ao mesmo tempo em que a tecnologia amplia superfícies de exposição, ela também ajuda a estruturar processos de governança, definir controles e fortalecer a capacidade de resposta das empresas.
A gestão de riscos passa a depender de ferramentas que consigam lidar com grandes volumes de dados, monitorar operações e antecipar problemas antes que eles se transformem em prejuízos.
São exemplos de como a tecnologia pode agregar nesse pilar:
No compliance moderno, a conformidade legal continua sendo indispensável, mas já não é suficiente. As empresas passaram a ser cobradas também pela forma como conduzem suas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Por isso, há necessidade de se adequar a temas como sustentabilidade, diversidade, responsabilidade social e integridade nas relações com o mercado.
Essa mudança está diretamente ligada às expectativas de consumidores e investidores. Segundo pesquisas compartilhadas pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre), 86% dos brasileiros preferem consumir produtos de empresas que demonstram responsabilidade ambiental.
Além disso, 85% dos investidores consideram as práticas ESG como um fator importante na escolha de investimentos a longo prazo. Ou seja, princípios ESG influenciam tanto a escolha de consumo, quanto a alocação de capital.
No entanto, integrar o ESG ao compliance exige mais do que declarações institucionais. É necessário transformar o compromisso em prática, por meio de políticas, indicadores mensuráveis e prestação de contas contínua.
Nesse contexto, a transparência é fundamental e deve ser sustentada por dados verificáveis, relatórios consistentes e comunicação responsável. Esse cuidado é ainda mais relevante diante do avanço do greenwashing, prática em que empresas se promovem como sustentáveis sem respaldo real.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública alerta que termos vagos, como “ecológico” ou “amigo do meio ambiente”, sem explicações claras, certificações ou comprovação, devem ser vistos com cautela. A orientação inclui analisar rótulos, pesquisar a atuação da empresa e verificar a existência de compromissos públicos e relatórios de sustentabilidade
O tema também preocupa investidores. Segundo o estudo EY Global Institutional Investor Survey 2024, 85% deles afirmam que o greenwashing é um problema mais grave hoje do que há cinco anos
Além de comprometer a credibilidade das organizações, essa prática pode configurar publicidade enganosa, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor, sujeitando empresas a sanções e prejuízos reputacionais. Por isso, a integração entre ESG e compliance precisa ter a transparência como base, garantindo que valores declarados estejam refletidos em decisões, processos e resultados concretos.
Saiba mais: Práticas sustentáveis em empresas: transparência e métricas para evitar greenwashing
Quando pensamos em mecanismos de proteção no compliance moderno, estamos falando de diferentes práticas, como:
Diante de riscos complexos, as empresas têm ampliado as frentes de proteção e recorrido à tecnologia para reforçar a prevenção e a capacidade de reação a falhas.
De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Markets Innovation & Technology Institute (MiTI), em uma escala de zero a cem, a maturidade média em cibersegurança nas empresas atingiu 58% em 2025, acima dos 53% registrados em 2024.
No mesmo período, a probabilidade média de sucesso de um ataque caiu de 50,65% para 43%, sinalizando melhorias nos mecanismos de proteção adotados pelas organizações
Com os avanços tecnológicos, ferramentas baseadas em machine learning e IA permitem identificar padrões suspeitos com mais agilidade, reduzir o tempo de resposta e apoiar a prevenção de riscos.
No compliance financeiro, algoritmos já são utilizados para detectar indícios de lavagem de dinheiro em tempo real, analisando grandes volumes de dados e transações.
Além da tecnologia, a conscientização das equipes também se mostra decisiva. Segundo pesquisa da BugHunt, cerca de 60% das empresas brasileiras adotam campanhas de conscientização de colaboradores como uma medida de cibersegurança, reconhecendo que riscos internos podem representar brechas.
Outro importante mecanismo de proteção são os canais de denúncias. Segundo a PwC, 43% das fraudes corporativas são detectadas por meio de relatos internos. O uso de Inteligência Artificial, inclusive IA generativa, tem ampliado esse potencial ao tornar os canais mais acessíveis, seguros e com a capacidade de analisar informações com maior rapidez.
No entanto, mesmo com uma proteção reforçada, os riscos sempre existem. Por isso, ter um plano de resposta a incidentes também é indispensável. As empresas precisam contar com roteiros bem definidos, que estabeleçam protocolos claros para situações como falhas operacionais, ataques cibernéticos ou vazamentos de dados.
Esse tipo de preparação permite:
Não é porque tem surgido novos pilares no compliance que os antigos deixam de ser válidos. Pelo contrário, eles se somam aos fundamentos já consolidados, dando sustentação a programas mais estruturados e reforçando a integridade das empresas
Você se lembra quais são os 10 pilares do compliance? Confira o resumo abaixo:

Nós entendemos que a conformidade precisa acompanhar a evolução do cenário regulatório, tecnológico e corporativo. Por isso, nossas soluções são desenvolvidas para apoiar programas que se adaptam às novas demandas, com uso responsável da tecnologia e foco na integridade das organizações.
A IA faz parte desse ecossistema e é integrada por meio da API oficial da OpenAI. Ela está presente no canal de denúncias, no compliance bot, na gestão de políticas e documentos e até mesmo nos treinamentos, com recursos que auxiliam na criação de conteúdos, perguntas e bancos de questões.
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