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Compliance: aprenda o que é para colocar em prática

Saiba como funciona o compliance, quais leis regulam o tema e quais passos seguir para aplicá-lo nas empresas

Atualizado em 24/03/2026
● Por Helen Lugarinho
Ilustração sobre departamento de compliance, cultura de compliance, programa de compliance e Legal Operations.
Imagem criada pela clickCompliance utilizando inteligência artificial. © Todos os direitos reservados.

O aumento da fiscalização, das exigências regulatórias e da cobrança por transparência por parte do mercado e do público tem levado empresas a buscarem maior controle sobre seus processos internos. Para isso, recorrem ao compliance, um conjunto de práticas voltadas ao cumprimento de leis, normas e padrões de conduta.

A ausência de diretrizes pode expor as organizações a uma série de riscos, como multas, sanções legais, fraudes internas e danos à reputação. Por isso, entender o que é compliance e como ele pode ser aplicado no dia a dia se tornou indispensável para fortalecer a governança corporativa e prevenir irregularidades.

Quer saber como estruturar o compliance dentro da sua empresa? Ao longo deste conteúdo, você vai entender tudo sobre o tema, incluindo qual é a origem do conceito, quais são seus principais tipos, quais leis estão relacionadas e qual o passo a passo para implementá-lo.

Boa leitura!

Conteúdo do Artigo

O que é compliance?

Oriundo do verbo em inglês “to comply”, que pode ser compreendido como “estar de acordo” ou “cumprir”, o termo compliance se refere ao conjunto de práticas adotadas pelas empresas para garantir que suas atividades estejam alinhadas a leis, regulamentos e normas que regem sua atuação.

Contudo, o conceito vai além do atendimento às obrigações legais. O compliance também está relacionado à adoção de padrões éticos e diretrizes internas que orientam o comportamento de colaboradores, gestores e parceiros de negócio.

Sendo assim, ele consiste na criação de uma cultura organizacional capaz de alinhar todos os setores da empresa ao cumprimento das normas estabelecidas. Isso inclui a implementação de políticas corporativas, códigos de ética, treinamentos e processos de monitoramento voltados à prevenção e à identificação de irregularidades.

Entre os principais objetivos do compliance estão:

  • cuidar da imagem da empresa;
  • assegurar o cumprimento da legislação vigente;
  • prevenir o envolvimento em irregularidades e atos ilícitos que possam acarretar penalidades e prejuízos;
  • promover uma cultura baseada nos valores da empresa;
  • garantir a transparência e a idoneidade da marca frente ao mercado.

Qual é a origem histórica do compliance?

Há divergências sobre a origem do compliance, mas estudiosos apontam que o conceito teve início em instituições bancárias do exterior ao longo do século XX

De acordo com o Conselho Federal de Administração (CFA), as primeiras iniciativas surgiram com a criação do Banco Central dos Estados Unidos (FED), por volta da década de 1910, cujo objetivo era estabelecer um ambiente financeiro mais seguro, estável e confiável.

Décadas depois, novas leis contribuíram para consolidar esse movimento. Um dos marcos foi a criação da Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), também nos Estados Unidos, nos anos 1970. A lei endureceu as penalidades para empresas americanas envolvidas em práticas de corrupção no exterior, após a revelação de esquemas que envolviam organizações privadas e governos.

Com o tempo, os resultados obtidos com essas práticas levaram à disseminação para empresas de diferentes portes e setores ao redor do mundo. 

A expansão dos mercados e o aumento da competitividade também contribuíram para esse movimento, já que operações mais complexas passaram a exigir mecanismos capazes de garantir o cumprimento das normas aplicáveis às organizações.

No Brasil, os primeiros departamentos de compliance surgiram na década de 1990, importados das multinacionais. O tema ganhou destaque a partir de 2014, quando entrou em vigor da Lei nº 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção ou Lei Empresa Limpa, que prevê a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas por atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira.

Leia também: Lei Anticorrupção: 5 dicas para sua empresa

Quais são os tipos de compliance existentes?

Por envolver todas as áreas da empresa, o compliance pode assumir várias formas de aplicação, que variam de acordo com o setor de atuação, as exigências regulatórias e os riscos associados às atividades.

Conheça os principais tipos de compliance:

  • compliance empresarial: envolve os aspectos gerais da organização e o cumprimento das normas estabelecidas pelo poder público para o funcionamento do negócio, além de regras definidas por associações e sindicatos;
  • compliance tributário: está relacionado à apuração, cálculo e recolhimento correto de tributos, como impostos, taxas e contribuições. Seu foco é garantir que a empresa cumpra a legislação tributária vigente, evitando autuações, multas e outros passivos fiscais;
  • compliance trabalhista: envolve o cumprimento das leis trabalhistas, convenções coletivas e normas relacionadas à segurança e à saúde no trabalho. Também abrange políticas internas, treinamentos e canais de comunicação que orientam os colaboradores sobre as condutas esperadas no ambiente profissional;
  • compliance ambiental: garante que a empresa atue em conformidade com as regulamentações ambientais e adote práticas que reduzam impactos ao meio ambiente;
  • compliance fiscal: refere-se ao cumprimento das obrigações acessórias exigidas pelos órgãos fiscalizadores, como emissão de notas fiscais, escrituração de documentos e envio de declarações ao fisco. O objetivo é assegurar que as informações prestadas pela empresa estejam corretas e em conformidade com a lei;
  • compliance financeiro: monitora as operações financeiras da organização para garantir alinhamento com normas contábeis, regras do sistema financeiro e regulamentações relacionadas à prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro;
  • compliance anticorrupção: estabelece medidas para prevenir, identificar e investigar práticas ilícitas, como fraude, suborno e corrupção;
  • compliance digital: voltado à proteção de dados e à privacidade das informações, esse tipo busca assegurar que a empresa esteja em conformidade com legislações relacionadas ao tratamento de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, nº 13.709/2018).

Quais as principais leis de compliance no Brasil?

Como dito anteriormente, o compliance ganhou evidência no mercado nacional a partir da ampliação do debate sobre transparência e responsabilização das organizações, que foi intensificado nos últimos anos. Neste contexto, dois textos merecem destaque: a Lei Anticorrupção (lei nº 12.846/2013) e aLGPD (lei nº 13.709/2018).

A primeira entrou em vigor em 2014 com o objetivo de combater a corrupção, estabelecendo a responsabilização de pessoas jurídicas por irregularidades e atos ilícitos contra a administração pública. Para além do caráter punitivo, essa lei reconhece as medidas anticorrupção adotadas pelas empresas como fator atenuante em um eventual processo de responsabilização.

Já a LGPD está em vigor desde 2018 e regula o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais. A norma estabelece regras para coleta, armazenamento e uso dessas informações, com o objetivo de proteger os direitos de liberdade e privacidade dos titulares dos dados.

Outras normas também são importantes para fortalecer práticas de compliance no país, como:

  • lei de prevenção à lavagem de dinheiro (lei nº 9.613/1998): estabelece medidas para prevenir e combater a lavagem de dinheiro e a ocultação de bens, exigindo que determinados setores adotem mecanismos de controle e monitoramento de operações suspeitas;
  • decreto nº 11.129/2022: regulamenta a Lei Anticorrupção e define critérios para avaliação de programas de integridade adotados pelas empresas;
  • lei das estatais (lei nº 13.303/2016): estabelece regras de governança, transparência e controle para empresas públicas e sociedades de economia mista;
  • lei de improbidade administrativa (lei nº 8.429/1992): prevê a responsabilização de agentes públicos e de empresas envolvidas em atos que causem prejuízo ao patrimônio público ou resultem em enriquecimento ilícito.

Como a LGPD afeta a conformidade das empresas?

A LGPD trouxe novas exigências para o tratamento de dados pessoais no Brasil, impactando diretamente a forma como empresas coletam, armazenam e utilizam informações de clientes, colaboradores e parceiros, conforme mencionamos anteriormente.

Com ela, as organizações passaram a revisar processos internos, atualizar políticas de privacidade e estabelecer mecanismos de controle sobre o uso de dados.

Isso inclui:

  • mapear quais informações são coletadas;
  • definir bases legais para o tratamento desses dados;
  • e garantir que os titulares tenham acesso a direitos como correção, exclusão e portabilidade das informações.

Outro ponto importante é a adoção de medidas de segurança para reduzir o risco de vazamentos ou acessos indevidos. Em caso de incidentes envolvendo dados pessoais, a empresa pode ser obrigada a comunicar o ocorrido à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e aos titulares afetados.

Caso descumpra a LGPD, a empresa pode precisar lidar com impactos financeiros e reputacionais. A legislação prevê sanções que podem incluir advertências, bloqueio de dados e multas que chegam a 2% do faturamento da empresa, limitadas a R$ 50 milhões por infração. 

Levantamentos recentes ajudam a dimensionar os impactos de vazamentos de dados. De acordo com o relatório Cost of a Data Breach, da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões em 2025. 

O estudo também aponta que alguns setores são ainda mais afetados, como saúde, com custo médio de R$ 11,43 milhões, seguido por finanças, com R$ 8,92 milhões, e serviços, com R$ 8,51 milhões.

Saiba mais: O que o compliance tem a ver com a LGPD

Quais os benefícios do compliance para investidores?

Para investidores, o compliance funciona como um indicador da qualidade da gestão e do nível de organização das empresas. A adoção de práticas de conformidade contribui para reduzir incertezas, aumentar a transparência e fortalecer a confiança em relação à forma como o negócio é conduzido.

Empresas que estruturam programas de compliance tendem a apresentar menor exposição a riscos legais, financeiros e reputacionais. Além disso, a ferramenta favorece a prestação de contas e amplia a visibilidade sobre a gestão do negócio.

Esse nível de transparência facilita a análise da saúde financeira e operacional da empresa, permitindo que os investidores tomem decisões de investimento mais seguras.

Outro benefício importante está relacionado à reputação corporativa. Organizações que adotam padrões éticos e boas práticas de governança costumam ser percebidas como mais confiáveis pelo mercado, o que pode contribuir para a atração de capital, maior acesso a crédito e valorização no longo prazo.

O que é um canal de denúncias e como funciona?

Como o próprio nome já diz, o canal de denúncias é um mecanismo criado para receber relatos sobre possíveis irregularidades dentro das organizações. Por meio dele, colaboradores, fornecedores ou qualquer pessoa relacionada à empresa podem comunicar situações como fraudes, assédio, corrupção ou descumprimento de normas internas.

Esse tipo de canal faz parte das práticas de compliance porque contribui para identificar problemas que muitas vezes não aparecem nos processos formais de controle. Além de possibilitar o registro das denúncias, ele também permite que as empresas conduzam apurações internas e adotem medidas corretivas quando necessário.

Um relatório da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE) mostra a importância dessa ferramenta na detecção de irregularidades. Segundo o estudo, 43% das fraudes ocupacionais são identificadas por meio de denúncias. O índice é mais de três vezes superior ao de outros métodos de detecção, como auditoria interna (14%) e revisão da gestão (13%).


Esses canais podem ter um potencial ainda maior quando otimizados com tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, que permite automatizar etapas do processo e direcionar os relatos com mais agilidade para as equipes responsáveis pela análise.

No canal de denúncias com IA do clickCompliance, por exemplo, ao receber uma denúncia o sistema verifica os times de tratamento definidos previamente e direciona o caso conforme os critérios estabelecidos pela organização. Também é possível utilizar o roteamento por nível de risco, em que a IA avalia o conteúdo do relato e encaminha a denúncia para a equipe mais adequada para conduzir a investigação.

Você também pode se interessar: Como o canal de denúncias ajuda a coibir desvios de conduta

Qual é a diferença entre compliance e auditoria interna?

Compliance e auditoria interna são funções complementares dentro da governança corporativa, mas possuem objetivos diferentes. Enquanto o compliance está voltado à prevenção e ao acompanhamento contínuo do cumprimento de leis, normas e políticas internas, a auditoria interna atua na verificação desses processos.

O compliance é responsável por estruturar diretrizes, treinamentos e controles que orientam o comportamento da organização e ajudam a reduzir riscos. Já a auditoria interna analisa, de forma independente, se esses mecanismos estão funcionando corretamente.

Para isso, a auditoria costuma realizar revisões periódicas, analisar documentos e avaliar processos por meio de amostragens. Com base nessas análises, é possível identificar falhas, sugerir melhorias e fortalecer a gestão de riscos dentro da empresa.

Como implementar um programa de compliance passo a passo?

A implementação de um programa de compliance se baseia na criação de políticas, controles e mecanismos capazes de garantir que a empresa atue em conformidade com leis, regulamentos e normas internas. Para isso, algumas etapas são fundamentais:

  • realizar um diagnóstico e análise de riscos: é necessário identificar os principais riscos legais, regulatórios e operacionais relacionados às atividades da empresa, definindo diretrizes para prevenir irregularidades;
  • estrutur a área de compliance: a empresa deve definir os responsáveis pela implementação e acompanhamento das políticas de compliance, garantindo que a equipe tenha recursos e autonomia para conduzir essas atividades;
  • criar políticas internas: documentos como código de ética e conduta, políticas internas e normas corporativas ajudam a orientar o comportamento de colaboradores e parceiros de negócio;
  • implementar um canal de denúncias: a organização deve disponibilizar um meio seguro para o registro de irregularidades, permitindo que denúncias sejam analisadas e investigadas de forma adequada;
  • promover treinamentos periódicos: é importante promover treinamentos de compliance periódicos para que os colaboradores compreendam as regras da empresa e saibam como agir diante de situações de risco;
  • realizar o monitoramento das práticas adotadas: o programa de compliance deve ser acompanhado de forma constante, com revisões periódicas e auditorias internas que permitam identificar falhas e aprimorar os controles existentes.

Por fim, é importante lembrar que, para que o programa seja efetivo, é indispensável contar com o suporte da alta administração. A liderança da empresa deve assumir o compromisso com a integridade e apoiar a implementação das políticas de compliance, servindo de exemplo para toda a organização.

Compliance

Como o clickCompliance pode ajudar?

O clickCompliance é um sistema de gestão de compliance e integridade que apoia empresas na organização e no acompanhamento de seus programas de conformidade. A plataforma conta com recursos como canal de denúncias, gestão de documentos e módulos para controle de processos e treinamentos.

Dessa forma, sua empresa consegue automatizar processos internos, reduzir custos operacionais e diminuir o trabalho manual das equipes responsáveis pela área de compliance.

Agende uma demonstração e saiba como otimizar o compliance da sua empresa.

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Publicado por
Helen Lugarinho
Sou jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, com pós-graduação em Comunicação Integrada e Gestão Estratégica de Conteúdo pela Facha. Minha trajetória profissional é marcada por uma ampla experiência em produção de conteúdo e marketing digital, sempre com foco em conectar pessoas e compartilhar conhecimento de forma clara e impactante.
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